Liderança na Era do Conhecimento. Desafio do Século XXI

LIDERANÇA NA ERA DO CONHECIMENTODESAFIO DO SÉCULO XXI 

 

O Conhecimento             

Cada vez mais o conhecimento tem sido a fonte de riqueza do século XXI, pois não é possível abordar os temas: progresso, sustentabilidade, governança, visão sistêmica sem mencionar o tema Conhecimento e, com a crescente globalização, lidar com o Conhecimento será o grande desafio da sociedade, dos governantes e das organizações com ou sem fins lucrativos.

Para tanto, entender o conhecimento como uma questão estratégica torna-se primordial, assim como compreender a objetividade intrínseca a ele, sendo esta objetividade mais relacionada à aplicação e retenção dos conhecimentos chave do que com a sua própria divulgação, já que a divulgação vem sendo realizada. Como exemplo, cita-se os Programas Educacionais que tem disseminado conhecimentos ao longo dos anos com a certeza de que a aplicação destes ocorrerá, porém nem sempre isto acontece como o desejado, pois os educadores se norteiam pela “Educação Bancária”, que segundo o grande mestre Paulo Freire, se refere ao aprendiz como sendo o depósito de conhecimentos e assim não se torna crítico o suficiente para adequar o conhecimento a aplicação transformadora cotidiana que pode relacionar isso ao fato dos educadores se tornarem profundos conhecedores de seus temas teoricamente sem contato com a realidade prática.

Sob esta ótica, se torna pertinente a questão: de onde virá a mudança de perspectiva teórica para a Gestão do Conhecimento Aplicada - Management of Applied Knowledge – MAK, como grande foco estratégico?

Nota-se que pelo cenário competitivo e pelas questões econômicas e sociais, as organizações produtivas têm fomentado cada vez mais o interesse pela Gestão do Conhecimento e realizado mudanças significativas em torno dessa questão. Isso se evidencia quando ocorre a criação da área de Gestão do Conhecimento nas organizações para justamente tratar o conhecimento de maneira mais promissora. Como o tema é relativamente novo, considerando que os diálogos se iniciaram nos últimos 5 anos, pode-se afirmar que ainda os modelos sobre o tema estão em construção, o que permite uma abertura maior para contribuição nessa obra, baseada nas necessidades concretas que temos vivenciado nestes 15 anos de atuação no que se refere ao Desenvolvimento Humano nas organizações.

Dessa forma, a questão central torna-se a seguinte:

O que todos desejam? Que o conhecimento seja disseminado, aplicado e extraído do âmbito das organizações, assim como já mencionado, torna-se o grande desafio para os próximos anos. Para dar conta dessa questão, desenvolvemos um conceito teórico e prático o: Management of Applied Knowledge – MAK. Porque o nome está em inglês? Porque é um símbolo de que o desafio é global.

A Mudança

Só existe estrada favorável para quem sabe para onde vai e para compreender para onde se quer ir, é necessário entender o que estará acontecendo com as relações e a com a estrutura na organização quando o conhecimento é aplicado, para então, entender como maximizar ações ao longo do processo.

Os impactos já são reais e temos de compreendê-los em todas as suas possibilidades, portanto, mãos a obra. Veja no quadro a seguir sobre as mudanças significativas.         

ÁREA AFETADAONTEMHOJE
ColaboradoresCustosInvestimento Rentável
LiderançaDecisor - HierarquiaOrganizador do Conhecimento
ConhecimentoDisseminado - FerramentaAplicado – Foco Estratégico
ReceitaTangível: DinheiroIntangível: Idéias, aprendizado, ações inovadoras, novos clientes.
InformaçãoRestrita controladaFator primordial para comunicação
RelaçõesRestritas aos times de áreasEmpowerment e autonomia  dos times
FocoLucroLucro com Sustentabilidade

 

Compreender a relevância do conhecimento aplicado como ativo que agrega valor às atividades organizacionais nos direciona para um futuro que é inevitável, pois as organizações que estão se renovando e se posicionando estrategicamente, certamente compreenderam a necessidade de se adaptarem e atuarem como Agentes de Transformação no ambiente empresarial.  Tendo em vista que as mudanças são inevitáveis e a sua velocidade está num ritmo cada vez maior, se torna impossível visualizar um ambiente passivo e uma condição estável. É necessário então perceber a importância de antecipar as mudanças e isto só é possível num ambiente que esteja em um desenvolvimento contínuo sustentado pelo conhecimento que, aplicado se transforma e agrega valor às decisões possibilitando o empoderamento e a maturidade da empresa e do seu capital humano.

Os líderes

Diante desse cenário, se torna desafiador para o líder trabalhar com o conhecimento, assim como entendê-lo, projetá-lo, conectá-lo às estratégias, acompanhá-lo, disseminá-lo e aplicá-lo na organização, e para isso é imprescindível unificar e organizar várias iniciativas educacionais em um eixo maior.Pelo contexto proposto para a liderança, pode-se denominar arquitetura do conhecimento sendo o líder a figura central. Diante disso cabe a seguinte questão: Qual líder foi preparado para esta função? E nós mesmos, fomos? Claro que não!

Nesse sentido, as habilidades primordiais do arquiteto do conhecimento são:

1.     Visão sistêmica – Capacidade de ver o todo e as partes em uma dinâmica de curto, médio e longo prazo.

2.     Capacidade de conectividade – Capacidade de integrar os diversos conhecimentos de modo a torná-los transversais.

3.     Autodesenvolvimento – Capacidade de atualizar-se constantemente de modo não especializado e com curiosidade intelectual.

4.     Capacidade de Comunicação – Capacidade de transformar assuntos complexos em temas claros e objetivos obtendo a compreensão de todos em um mesmo ponto.

5.     Capacidade de Liderança – Ser capaz de influenciar as pessoas para um projeto estratégico único de conhecimento.

6.     Habilidade educadora – Capacidade de lidar com o acompanhamento, orientando e direcionando a escolha dos conhecimentos necessários.

7.     Visão integral do ser humano – Saber entender culturas diferentes, ver cada um em si em uma dinâmica própria, em um contexto próprio, porém em um cenário comum e global.

8.     Capacidade de Governança – Lidar com valores, ética, transparência nas relações. Promover os princípios de governança no contexto geral.

9.     Capacidade de lidar com responsabilidade social e sustentabilidade – Lidar com os temas num contexto mais amplo em que as discussões são visões de futuro, no qual se participa e se interfere.

10.  Habilidade de inovação – Fazer as coisas de modo diferente e melhor constantemente, trazendo uma inquietude que se obtém por conta de um ambiente com coragem para se quebrar paradigmas.

Sob essa perspectiva, um líder precisa ser um arquiteto do conhecimento e este não é um passo para o futuro e sim é um passo para hoje, pois não é possível afirmar que tudo está pronto. Os responsáveis para iniciar uma jornada de transição do modelo de liderança somos todos nós. Porque?

Estamos sob o risco de investir excessivamente em conhecimento e de obter poucos resultados, obtendo cada vez mais conteúdo sem saber o que fazer com eles, assim como causar conflitos para as pessoas que não tem a compreensão que esse cenário é o ponto de partida para um avanço sustentável da sociedade como um todo.

Você esta preparado para este desafio?

 

Celso Teixeira Braga

Mestre em educação, Professor supervisor pela FEBRAP, Psicodramatista, Psicólogo, Diretor do Grupo Bridge, Strategic Manager na Los Angeles University School of Management.

 

 

Grupo Bridge

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